domingo, 3 de dezembro de 2017

A propósito: você sabe aonde quer chegar?

FAVORITO

Proposito

Lucro + justiça social, competição + espiritualidade, eficiência + bem estar: atualmente, ter um propósito faz toda a diferença. E quanto antes você descobrir o seu, melhor para sua empresa. 

“Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável.”
Sêneca
Sexta feira, final do dia e do mês. Em um momento de rara tranquilidade, você, empreendedor(a), está em sua sala, olhando para o horizonte e refletindo sobre o propósito desta semana e das três que a antecederam: elas foram absolutamente frenéticas. Reuniões e mais reuniões, relatórios intermináveis para preencher, processos para acompanhar, contratações para realizar, planejamentos para coordenar, viagens de um dia; tudo embalado pela trilha estridente do telefone, que não parou de tocar.

O telefone, aliás, toca nesse momento. Escandaloso, o aparelho soa e vibra ao lado da sua caneca de café. Ambos estão na sua mesa que, com objetos espalhados e torres de papel por todos os lados, parece a maquete de uma metrópole caótica. Tudo aparentemente sem propósito. Aparentemente.

Então, após um longo suspiro e um gole de café frio, você:

1) sorri satisfeito e atende o telefone
2) deixa que toque até parar, porque você não aguenta mais
Independentemente da resposta dada para a situação hipotética acima, ela tem a ver com uma questão fundamental não apenas para qualquer empreendedor, mas para qualquer pessoa. Tem a ver com saber onde queremos chegar. Tem a ver com o propósito – e é disso que este artigo vai tratar.

Nos corações e mentes das novas gerações

Hoje em dia, felizmente, o propósito como o conhecemos voltou à pauta. A vontade maior de realizar ou conquistar algo retornou à voga, e isso é tremendamente promissor. Afinal, é consenso, entre antropólogos e outros especialistas, que as novas gerações se distinguem cada vez mais das anteriores por buscarem fazer aquilo que realmente gostam, a arriscar por aquilo que as move de fato – de acordo com a consagrada máxima de que “dinheiro é consequência”.

Há uma série de explicações para este retorno triunfal. Novas possibilidades tecnológicas, ausência de guerras significativas, conjunturas econômicas favoráveis, etc; mas deixaremos esta contextualização a cargo dos especialistas. Aqui, vamos refletir sobre o propósito no seu âmbito, caro empreendedor. E você verá que, por mais que pareça uma discussão um pouco abstrata, é uma reflexão fundamental para qualquer atividade com a qual você venha a se envolver.

Não sei se tenho um propósito

Será? Pode até ser que você tenha, mas que utilize outro nome ou expressão: objetivo, finalidade, desígnio, etc. De toda forma, a nosso ver propósito é um termo mais exato, pois expressa justamente aquela vontade imensa que sentimos de realizar/alcançar algo.

TER UM PROPÓSITO CLARO NA VIDA É SABER ONDE SE QUER CHEGAR – E, SOBRETUDO, DISPOR DA ENERGIA NECESSÁRIA PARA ENFRENTAR A TRAJETÓRIA, QUE CERTAMENTE NÃO SERÁ FÁCIL.

Tomemos como exemplo a situação hipotética do início do texto. Claro que se trata de uma suposição; porém, se você ainda não tem um propósito bem definido, é provável que opte pela segunda opção. Afinal, quando você não tem muita ideia do que pretende realizar, nenhuma atividade será realmente de seu contento. Nenhum vento será favorável, como propôs o pensador romano Sêneca na epígrafe deste artigo.
Então, nas situações-limite – e elas são muito frequentes na vida de um empreendedor –, o mais provável é que você, irritado e infeliz, sinta vontade de mandar tudo às favas, quando deveria ser o contrário.

Mas como definir o meu propósito?

Não existe uma fórmula definitiva. Afinal, ele é o seu propósito; é uma questão muito íntima e subjetiva, com a qual cada um tem seu próprio jeito de lidar. Às vezes o propósito surge por eliminação – após nos envolvermos em uma série de atividades, enfim o descobrimos; às vezes já temos a certeza desde a mais tenra idade; às vezes o propósito surge por inspiração de alguém que você admira.

De toda forma, o fato é que um propósito não é identificado sem que façamos, em dado momento de nossas vidas, algumas perguntas incômodas a nós mesmos: qual é o sentido de viver para trabalhar? Qual o propósito de dedicar pelo menos um terço – geralmente muito mais – da minha vida a atividades cujo sentido desconheço? E talvez a mais temida de todas: sou feliz com o que faço?

“O meu propósito é o dinheiro”, você pode responder. Claro, um propósito mais do que legítimo. Porém, refazemos a pergunta: qual o propósito de ir em busca desse dinheiro? “Conforto”, “casa própria”, “viagens”, “educação de qualidade para meus filhos…”; perfeito. Mas – e pedimos perdão pela insistência –, para que tudo isso?
As perguntas são mesmo incômodas; mas as respostas podem te ajudar a ter muito mais clareza, tanto na vida quanto no momento de se posicionar diante dos clientes.

É SOMENTE AO DESCOBRIR O SEU PROPÓSITO QUE VOCÊ PODERÁ REALMENTE OFERECER ALGO AO MERCADO, DIFERENCIANDO-SE DAQUELES QUE APENAS QUEREM ALGUMA COISA DELE.

Ter um propósito é ter algo a entregar de fato

Em relação aos negócios, quando o seu propósito é bem definido, é muito provável que o da sua empresa também seja. Em consequência disso, fica muito mais fácil promover uma oferta de valor para o mercado, porque você conseguirá transmitir confiança naquilo que oferece. Se algum cliente não quiser, sem problema; outro há de querer. E aí, sim, a prosperidade financeira será mera consequência destes valores intangíveis que você oferece.

Por outro lado, se você ainda não identificou o seu propósito, é importante que comece a refletir. Primeiro porque, se for somente dinheiro, é mais difícil passar a confiança necessária para os consumidores. E segundo porque, com um propósito, a vida fica certamente muito mais leve, e os desafios que ela impõe, mais suportáveis.

Empreendedorismo: um propósito e tanto

Para concluir, algumas palavras sobre a dimensão do propósito empreendedor em termos econômicos e sociais aqui no Brasil.

Uma última pesquisa realizada pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor) mostrou que no Brasil há, hoje, aproximadamente 27 milhões de pessoas envolvidas ou em processo de criação de negócios por conta própria. E estes 27 milhões são responsáveis por mais de 60 milhões de empregos formais e informais – ou seja, a mais de 75% da massa trabalhadora em atividade. De acordo com este artigo do portal Administradores, o Brasil aparece em terceiro lugar no ranking de 54 países do estudo. Uma outra pesquisa, realizada pela Cia. de Talentos, indica que 56% dos jovens entrevistados pretendem abrir um negócio por conta própria.

São números assombrosos, sem dúvida; mas que apenas comprovam o fato de que cada vez mais pessoas vão em busca de seus propósitos, transformando seus sonhos em negócios, e transformando assim também a vida de outras pessoas e, enfim, da nossa sociedade.

Alguma recomendação de leitura mais aprofundada?

Na obra, Teixeira cita exemplos de empreendedores que lutam para conciliar lucro e justiça social, competição e espiritualidade, eficiência e bem estar; enfim, como procuram um caminho mais sustentável e um sentido mais profundo sem abandonarem o mercado. O texto pode ser muito inspirador neste momento em que você talvez busque seu próprio propósito. Além disto, na Ferramenta Propósito Pessoal para Empreender você pode fazer uma reflexão mais prática.
Então, boa leitura — e boa busca!

Afinal, todos merecemos marcar a primeira opção naquela hipótese lá de cima.


Sempre fazemos um diagnóstico inicial. Pesquisamos a cultura da empresa, o mercado em que está inserida, os consumidores da área de atuação e os produtos ou serviços concorrentes diretos e indiretos do nosso cliente.

Identificando as vantagens, desvantagens, cultura da empresa, partimos para o propósito. Ajudamos nossos clientes a identificar o propósito da empresa, que será o fio condutor de todo processo.

A partir do diagnóstico e do propósito, trabalharemos a identidade verbal e visual da marca. Como serão as marcas de produtos ou serviços será definido pela arquitetura de marca. Criaremos o Brandbook, o guia da marca, do seu comportamento e personalidade.

Depois faremos a gestão da marca. De que forma esta marca se comunicará com seus clientes e parceiros, de que forma as informações serão disponibilizadas no website, de qual forma seus consumidores vão interagir com a marca, sempre guiada pelo propósito.


Marketing ajuda a definir propósito
Jaime Troiano, do Grupo Branding, aponta caminhos para traçar estratégias de imagem

SUELI REIS, AB
Jaime Troiano, do Grupo Branding do Brasil, aponta definição de propósito como passo fundamental para criação de imagem corporativa (Foto: Ruy Hiza)
“Marcas sem propósito são marcas sem alma.” Foi com esta provocação que o presidente do Grupo Troiano de Branding, Jaime Troiano, abriu os trabalhos do I Fórum de Marketing Automotivo, promovido por Automotive Business na quinta-feira, 27, em São Paulo, sob o tema A Revolução do Marketing.

Instigando uma plateia de mais de 200 participantes, Troiano apresentou o primeiro e grande desafio para os departamentos responsáveis pela imagem de uma empresa: a identificação de um propósito:

“Diferente de missão, valores ou visão, debatidos incessantemente pelas corporações e que dizem respeito ao que sei ou para onde vou, propósito é a resposta para as perguntas como ‘Por que existo?’, ‘Qual o papel da minha marca na vida da sociedade?’ e ‘Se eu deixasse de existir, o que o mundo perderia?’. Marcas que não respondem essas questões claramente são marcas sem alma”, reforça.

Para o consultor, apontar de forma certeira o propósito de existência, trabalho e cooperação de uma empresa passa sim pelas mesmas questões levantadas quando elas se questionam sobre sua missão, visão ou valores, conceitos que estão impressos na maioria das políticas administrativas. Contudo, ele aponta que para encontrar as respostas – o que não se apresenta como uma tarefa fácil – é necessário olhar da porta da rua para dentro das organizações. 

“Ações que nascem a partir dos conceitos que chamamos de missão, valores e visão deveriam individualizar as empresas, mas os próprios conceitos se homogeneizaram e se pasteurizaram de forma tão abrangente que não traduzem de fato o propósito real do que se pretende de fato com aquele negócio ou trabalho. Significa que esses conceitos são importantes sim, mas falta o algo mais para que as marcas tenham alma.” 

A busca pela resposta de qual o propósito de uma empresa passa por diversas discussões e variam de acordo com o ponto de vista, indica Troiano. Pesquisas corporativas realizadas por sua empresa para ajudar companhias a sublinharem seus objetivos revelam que cada colaborador, independente da área de atuação, tem uma resposta diferente para a mesma pergunta. E que chegar a um denominador comum para traçar metas de imagem ajuda a definir melhor as estratégias de negócio.

Seus estudos mostraram ainda que empresas globais que têm propósitos bem definidos apresentam desempenhos (lucro) até 10% superiores àquelas que não o tem. 

“Propósito está na história da empresa, tem que ser escavado. Parte daí a descoberta pelo seu ‘por quê’”.

A sua empresa tem um propósito? Pois deveria…A sua empresa tem um propósito? Pois deveria…

Antes de começar, vou pedir ao leitor que faça um exercício. Pare e pense nas últimas empresas em que você trabalhou: você sabia por que e para que estava trabalhando? Se a sua resposta for “para o lucro da empresa”, o que é bem plausível, também é possível que você não tivesse o menor conhecimento sobre o propósito da empresa – e que a organização talvez fosse incapaz de passar esse valor aos  funcionários. O que te movia a acordar todo santo dia para ir trabalhar? O salário? Wrong answer.
No HSM Expo (nov/2016, falei dele aqui neste post sobre Steve Wozniak), a maioria dos palestrantes falou sobre a importância das empresas adotarem um propósito. E  o tema permeou as mais variadas palestras – de sustentabilidade a gestão de desempenho, passando por estratégia de longo prazo e as transformações sociais e empresariais da última década. Deve ser, portanto, um ponto de atenção.

Missão, visão, valores e propósito

“Mas a empresa tem missão, valores. Por que precisaria de um propósito?”, você poderá perguntar. Porque o propósito não é nem a visão, nem a missão e nem os valores, como explica a Harvard Business Review. Simples assim. Um propósito real, verdadeiro e palpável dá um motivo tangível para que decisões sejam tomadas e, tarefas, executadas. Enquanto a missão descreve o negócio, a visão indica onde a empresa estará em alguns anos e os valores descrevem a cultura, o propósito inspira e dá orientação prática.
Dou como exemplo o Grupo Algar, que defende que uma estratégia de longo prazonão sobrevive sem um propósito forte – e o deles é “Gente servindo gente”. É ao mesmo tempo o slogan do grupo e também o mote em que se baseiam todas as estratégias. Se você perguntar a algum colaborador de qualquer empresa do grupo, ele deve dizer que o que o faz sair de casa todo dia é servir as pessoas.
HBR traz outros exemplos de propósitos: da empresa de serviços financeiros ING (“Empoderando pessoas para estarem um passo à frente na vida e nos negócios”), da gigante da alimentação Kellogg (“Nutrindo famílias para que elas floresçam e prosperem”) e da seguradora IAG (“Ajudar as pessoas as gerenciar risco e a se recuperar da dificuldade de uma perda inesperada”).
O propósito é um motivo para se orgulhar, para acreditar que o seu trabalho tem impacto em algum lugar. Ele é um norte e deve ser claro e compartilhado por todos, como um compromisso moral. Com isso, o lucro que eu falei lá no começo vem naturalmente.

Produtividade

Se a justificativa moral não te convenceu, porque você é muito pragmático(a) e só olha para os resultados, listarei alguns bons motivos para se preocupar em espalhar entre seus colaboradores o propósito da empresa. E não sou eu que estou falando, mas Rebecca Henderson, professora da Harvard. Adotar um propósito na empresa traz:
  • Compartilhamento de crenças e opiniões, fazendo com que as pessoas trabalhem pesado e com melhor desempenho
  • Autenticidade à organização, estimulando os colaboradores a acreditar no que realizam e a estreitar o relacionamento entre si
  • Identidade, aumentando a confiança entre todas as instâncias da organização

Rebecca diz ainda que ter propósito está associado a práticas de alta performance no trabalho, e que ele é um motor para a inovação.
Na maioria das empresas, no entanto, as pessoas “fazem o seu trabalho”, sem animação ou motivação. Sem compartilhar pensamentos, sem acreditar que estão fazendo diferente e sem se identificar com a marca ou com os colegas. Elas produzem muito menos e pior do que as pessoas que têm um propósito claro.
Imagine um estádio lotado e o metrô na hora do rush. As pessoas que formam a torcida de um time de futebol não se conhecem, mas estão conectadas por um propósito – que é ver seu time do coração vencer. Elas vão ao estádio, torcem, vibram, sofrem na perda e comemoram na vitória. Já as pessoas que estão lado a lado no metrô lotado não têm nada em comum, a não ser o fato de morar na mesma cidade e pegar o mesmo transporte público todos os dias. Elas não têm um propósito compartilhado e, por isso mesmo, são apáticas umas com as outras, e até mesmo hostis (dependendo do quão apertadas estão). Elas são como os funcionários da empresa sem propósito: seguem o caminho de olho no celular, sem olhar para o passageiro ao lado.

 O segredo do sucesso

Fast Company diz que um senso de propósito forte é bom para os negócios. E a gente concorda. “Um propósito mobiliza as pessoas de uma forma que a busca pelo lucro por si só nunca o fará. Para uma empresa prosperar, ela precisa incutir seu propósito em tudo o que faz.” O autor do artigo vai além: diz que uma empresa sem propósito gerencia pessoas e recursos. A que tem um propósito, por outro lado, mobiliza pessoas e recursos.
O artigo dá algumas dicas de como ter sucesso com o seu propósito:
  • Seja autêntico
  • Contrate pessoas que compartilhem seu propósito (certifique-se disso na fase de recrutamento)
  • Crie valor social e econômico compartilhado
  • Componha uma narrativa simples e clara para o seu propósito
Leitura recomendada: Inovar ou deixar como está?

O propósito tem que ser mais do que palavras

Rebecca Henderson diz que um propósito sozinho não é o suficiente. Acontece o mesmo com a missão, visão e valores. Se eles não forem compartilhados por todas as hierarquias da empresa, não passarão de reles frases jogadas e documentadas. O propósito tem que ser mais do que palavras, conforme Nate Dvorak and Bryant Ott escrevem para a consultoria Gallup. De acordo com os autores, as empresas enfrentam um desafio complicado: o que ela deseja como propósito vs. a marca e a cultura que os colaboradores criam através de suas ações.
proposito_gallup
Segundo um estudo da própria Gallup, apenas um terço dos trabalhadores americanos concordam que a missão ou o propósito das empresas onde trabalham os faz sentirem que seu trabalho é importante. O desalinhamento entre propósito, cultura e marca custa dinheiro. Mas o mesmo estudo descobriu que funcionários alinhados com o propósito performam melhor que aqueles não alinhados – por isso a importância de saber disso na hora da contratação, como disse no item anterior.
Por último, mas não menos importante, o propósito também afeta a habilidade da empresa de assegurar a entrega do que é prometido pela marca e de desenvolver clientes altamente engajados. Que organização não sonha em ter clientes que também são fãs?

Mensure o desempenho dos colaboradores…

… antes e depois de adotar um propósito. E use uma ferramenta de gestão para te ajudar nessa tarefa – que deve ser a mais satisfatória possível. O Runrun.it é um software de gestão do trabalho, que organiza o fluxo das demandas, registra todas as discussões, decisões e documentos relacionados aos projetos, ajuda a controlar tempo e dinheiro investidos e automatiza tarefas burocráticas. Com ele, as equipes ganham 25% de produtividade, em média. Imagine usá-lo em seu reposicionamento de propósito? É muito mais produtividade para a empresa.
As empresas precisam de um propósito

Para o presidente da agência de publicidade BrightHouse, é fundamental que as companhias brasileiras explorem sua verdadeira vocação para que obtenham resultados melhores

O publicitário americano Joey Reiman, de 57 anos, tem uma relação estreita com o Brasil. Em sua primeira visita, em 1969, viu o homem chegar à Lua em uma pequena televisão instalada em um bar de Fortaleza. Apontado pela revista americana Fast Company como um dos gurus que vão mudar o jeito como trabalhamos, Reiman voltou ao país 40 anos depois. Ele quer ajudar as empresas brasileiras a identifi car seu “propósito” — e lucrar com isso.
1) EXAME – O que é o conceito de propósito?
Joey Reiman – Propósito pode ser defi nido como um modo único e autêntico por meio do qual sua marca fará a diferença no mundo. É um conceito transformador para o profi ssional de branding. Uma empresa com propósito não pensa apenas em seus clientes, mas também em seus funcionários, colaboradores e na sociedade como um todo. Uma pergunta que sempre fazemos a nossos clientes é: o que o mundo perderia caso sua empresa deixasse de existir?
2) EXAME – Como isso pode impulsionar as vendas?
Joey Reiman – O principal motivo é que o propósito dá um signifi cado maior à existência da empresa. Um exemplo hipotético é o de uma fábrica de salgadinhos que tem o propósito de ajudar a combater a depressão infantil. Isso cria um significado maior para sua existência e estimula as vendas.
3) EXAME – Pode dar um exemplo concreto de empresa com propósito?
Joey Reiman – A Apple é um ótimo exemplo. Steve Jobs é muito claro quando diz que sua empresa não vende computadores, ela vende design, inovação e criatividade. Isso faz com que os consumidores de todo o mundo venham até ele. Prova disso é que a Apple ainda não tem nenhuma loja ofi cial no Brasil, mesmo assim, hoje já existem milhares de iPads no país.
4) EXAME – Mas como atribuir o sucesso de uma empresa ao fato de ela ter um propósito?
Joey Reiman – Dou outro exemplo. A Graco é uma das maiores fabricantes de assentos infantis e carrinhos de bebês do mundo. Antes, limitava-se a fabricar e vender seus carrinhos e faturava 450 milhões de dólares. Hoje, tem o propósito de ajudar os pais a criar melhor seus fi lhos. Em uma década, o faturamento mais que dobrou, para 1,3 bilhão de dólares.
5) EXAME – Já temos casos desse tipo no Brasil?
Joey Reiman – Há três anos, fi zemos um trabalho para a Alpargatas visando à internacionalização das sandálias Havaianas. Descobrimos que a marca vai muito além dos chinelos. Ela vende a alegria de viver do povo brasileiro e hoje é um sucesso de vendas em todo o mundo.
6) EXAME – Outras empresas brasileiras já perceberam esse fenômeno?
Joey Reiman – Poucas. No geral, as companhias brasileiras ainda não perceberam essa grande oportunidade. Elas ainda precisam descobrir seu propósito.
7) EXAME – Como o senhor avalia o mercado brasileiro de publicidade e propaganda?
Joey Reiman – É um mercado imenso, com ótimas possibilidades de crescimento no médio e longo prazo. Acho que a subsidiária brasileira da BrightHouse pode se tornar maior que a matriz, nos Estados Unidos, em dois anos.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017


Boas perspectivas macroeconômicas para o Brasil em 2018





seminario economico-01

Vídeo do 19º Seminário Econômico Fundação CEEE está disponível no Facebook.
“Após dois anos de uma crise gravíssima, o cenário macroeconômico para o Brasil em 2018 parece muito bom”, destacou o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho,  no painel do 19º Seminário Econômico da Fundação CEEE-Previdência Privada realizado no Centro de Eventos Barra Shopping Sul na tarde do dia 28/11. Junto com o professor Fernando Schüler e o economista Carlos Kawall foi apresentado um cenário auspicioso para o país, com um crescimento econômico de 2,5%, taxa Selic de 7% e inflação de 4% ao ano e dólar a R$ 3,30. No entanto, os economistas alertaram ser fundamental a aprovação da Reforma da Previdência para a retomada da confiança e novos investimentos.

No campo político, Fernando Schüler lembrou a incógnita eleitoral para 2018 em uma democracia ainda instável com 28 partidos e o risco de retorno do populismo, seja à esquerda ou à direita. O 19º Seminário Econômico teve mais de 600 inscrições, foi transmitido pela internet com mediação dos debates pela jornalista Dalva Bavaresco,  apresentadora da TVE e especialista em Relações Internacionais. Foram patrocinadores:  Modal, Verde Asset Management, Icatu Seguros, RSUL Vida Seguros e Banco Safra.
Abertura
Na abertura do evento, foi apresentado um vídeo da Fundação CEEE, com destaque para o “Plano Família Previdência” e os patrocinadores da instituição. O mestre de cerimônias Luis Afonso Rech destacou  os mais de 60 palestrantes profissionais que passaram pelo Seminário Econômico desde a primeira edição e anunciou para 2018 um novo aplicativo previdenciário da Fundação denominado “Meu Plano”, com acesso  por computador e celular. A instituição possui mais de 15 mil participantes, entre ativos, aposentados e pensionistas, e conta com um patrimônio de R$ 6 bilhões. De 2002 a 2016 acumulou uma rentabilidade nominal de 678%.

_JER4707
Cenário Político
Com o tema “Como chegamos até aqui e o que esperar logo adiante”,  o consultor e professor Fernando Schüler traçou um paralelo do Brasil atual, citando o escritor venezuelano Moisés Naim na abordagem sobre o mal-estar da democracia e a instabilidade política dos nossos tempos: “vivemos a crise da reputação clássica das grandes democracias, onde o cidadão é mais crítico, aflorando movimentos de protesto como os que ocorreram no Brasil a partir de 2013”. 

Com a explosão das crenças individuais, aumentou a desconfiança nas instituições no Brasil e no Mundo. Como exemplo, citou um jovem que carregava um cartaz contra a prova da OAB nas manifestações de 2013. Quando perguntado sobre a razão daquele ato, afirmou: “é porque eu não consigo passar na prova”. Para Schüler, a perda de consenso político em questões básicas da democracia e o funcionamento do Estado nos levaram à situação atual: “chegamos a um ponto em que as reformas trabalhistas e da previdência social só podem ser feitas por um governo impopular”. Outro aspecto é a explosão de partidos: por ausência de uma cláusula de barreira, o Brasil tem 28 partidos e outros 60 partidos em processo de registro. Com cláusula de barreira poderíamos ter apenas oito partidos.

Governo Temer
Para Fernando Schüler, durante o governo de Michel Temer, com as pesquisas apontando índices de impopularidade na faixa de 83,2%, “tivemos uma modernização como não tínhamos visto no Brasil”. Citou entre as principais ações: 1) A Lei de governança dos Estados; 2) A PEC do teto dos gastos públicos; 3) A reforma da legislação  trabalhista e 4) A instituição da TLP (Taxa de Longo Prazo utilizada nos empréstimos do BNDES). Está ainda na pauta a Reforma da Previdência.  Em razão dessa impopularidade do Presidente, “me perguntam com frequência por que as pessoas não vão para as ruas protestar?” Uma das razões, segundo Schüler, é que não há consenso sobre o que o Brasil quer. Neste ano de 2017 considerado “paradoxal” pelo palestrante, a primeira fase pós-impeachment de Dilma foi de euforia e, na segunda fase, veio a instabilidade e paralização por conta das denúncias de corrupção contra Temer.

Lamentando que o país não tenha avançado na reforma política, lembrou que as próximas eleições majoritárias custarão R$ 5 bilhões e “só tem R$ 1,8 bilhão de recursos públicos”, já que estão proibidas doações de empresas para  campanhas eleitorais. Nas projeções para 2018, Schüler  não acredita em  candidato outsider ou independente em razão da estrutura custosa do sistema político brasileiro. Segundo ele, vamos ter o “fantasma do populismo” com  Lula como candidato da esquerda e Jair Bolsonaro como candidato conservador. No centro, aponta como candidatos Geraldo Alckmin, João Dória e Henrique Meirelles. Para finalizar, Fernando Shcüler lembrou que o Brasil está se transformando em sociedade civil de redes sociais, esperando que o processo de renovação política possa avançar.

Cenário Macroeconômico
_JER4769
Como segundo palestrante, o PhD em Economia pela New York University, Fernando de Holanda Barbosa Filho, disse que, depois de dois anos de crise gravíssima o cenário macroeconômico para o Brasil parece muito bom. No entanto, a perda de 10% ao ano do PIB per capita não será recuperada: “tínhamos problemas fiscais e a então presidente Dilma não acreditava que os problemas existissem”, destacou.

O déficit fiscal, acrescentou, foi causado pelo governo Dilma, com as desonerações da folha de pagamento das empresas. Agora que as principais questões fiscais estão sendo enfrentadas retomou a confiança com a volta do crédito, do consumo e da produção. Segundo o Economista, o Brasil precisa aproveitar essa ‘brecha’ em que mundo está benevolente com juros baixos e inflação controlada, o que significa “uma janela de oportunidades que parece que vai durar”. Diante disso, é possível projetar um crescimento econômico de 0,8% em 2017 e de 2,5% em 2018, com a taxa Selic na faixa de 7% no final de 2017, mantendo-se nesse patamar em 2018. 

A inflação prevista para 2017 é de 5,5% e de 4% para 2018. Segundo ele, “a economia saiu do buraco e a pior crise já passou”, apesar do desemprego estar na faixa dos 12% e a indústria estar se recuperando em ritmo lento. Acreditando ser primordial a Reforma da Previdência, entre as “más notícias”, ele considera as incertezas políticas em ano eleitoral; problemas de produtividade nas empresas e risco da escassez energética. No setor externo, o economista aponta a recuperação de preços ao consumidor, a inflação global sob controle, o que aponta um cenário positivo para o Brasil “arrumar a casa”. Lembrando que a retomada de confiança do empresário e do consumidor, disse que o dólar deve ficar no patamar de R$3,18 no final do ano e de R$ 3,30 em 2018.

O consumo vai se acelerar em 2018 e a indústria deve se recuperar, crescendo 3% no próximo ano. Para ele, o risco fiscal ainda é grande com o déficit de 5% do PIB e, se não mexer na estrutura da economia, “haverá aumento de impostos, mesmo que temporariamente”. O fundamental é evitar que a dívida exploda e a inflação seja elevada. “Quem vai pagar a conta?, questionou. Será pelo corte de gastos públicos ou por elevação da alíquota do Imposto de Renda, já na faixa dos 33%? O Brasil gasta 13% do PIB com a Previdência Social, o que representa mais do que o que gasta com Saúde e Educação.  Finalizando a palestra, Fernando Barbosa Filho alertou para o risco energético, diante da falta de chuvas e que só com maior produtividade o Brasil terá uma melhora constante na economia.
_JER4871
Surpresa na zona do Euro
O terceiro palestrante do Seminário, o economista-Chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, que foi Secretário do Tesouro Nacional, iniciou afirmando que a surpresa do ano veio do crescimento da zona do Euro em 2,2%, enquanto a China chegou a 6,8% e os Estados Unidos entre 2,0% e 2,5%. Para os Estados Unidos houve um erro de previsão, segundo ele,  porque o dólar não se fortaleceu com a eleição de Donald Trump. Concordando com as análises do economista que o antecedeu, Kawall disse que era previsto uma instabilidade na economia mundial que acabou não ocorrendo. 

O preço das commodities se recupera, o que é favorável para países em desenvolvimento como o Brasil. “Está tão bom que não dá para melhorar”, destacou o palestrante. Lembrou que a crise brasileira “é nossa mesmo”, levando o país a ficar entre os piores do G-20. Entre diferentes episódios de recessão, “nunca o Brasil viveu uma recessão como a de 2015 a 2017, maior até que a dos Estados Unidos em 2008”. Apesar da volta do crescimento da economia, “só em 2019 vamos recuperar o PIB que tínhamos em 2014”.  

Comemorando que  “a recessão ficou para trás” com a recuperação do consumo, disse que foram perdidos 3 milhões de empregos formais desde 2015.  Para ele,  a Reforma Trabalhista é uma boa notícia diante da possibilidade de acordos legais entre patrões e empregados. Para ele, a taxa de juros ficará em 7% ao ano até 2019, considerando que “seguimos a velha e boa teoria econômica e tudo melhorou”. No entanto, alertou para o déficit R$ 500 bilhões/ano em despesas obrigatórias em total rigidez, o que segundo ele, “é insustentável”. Defendendo a Reforma da Previdência, disse que “nenhum país do mundo prescinde da idade mínima para a aposentadoria”.

_JER4940